O fascismo navega <br> entre o crime e a mentira
O candidato fascista Capriles Radonski, por mais que o digam os meios internacionais, ainda não impugnou os resultados eleitorais na Venezuela, mas prossegue com a sua campanha desestabilizadora.
Capriles é o responsável pela violência
Dito e feito! Perderam as eleições e não aceitaram o resultado. Minutos depois do primeiro boletim do CNE1, Capriles Radonski faz o que se esperava: desconheceu a autoridade do CNE e afirmou que a luta continuava, ou seja, voltava aos dias do golpe de Abril 2002, agora com a desculpa de que a margem de votos era pequena.
Poucas horas depois começa a conhecer-se o saldo de terror fascista. Oito mortos e mais de oitenta feridos. Dezanove CDI (postos de assistência médica) sitiados. Alguns deles incendiados. Dois hospitais atacados (num deles impediram o funcionamento da sala de operações). Sete instituições públicas agredidas. Três locais do PSUV atacadas. Seis sedes do CNE cercadas por turbas assanhadas. Treze meios de comunicação comunitários assaltados. Duas casas familiares queimadas com os vizinhos dentro. Um centro cultural vítima da fúria fascista. Vinte e quatro locais dependentes do Ministério de Alimentação atacados. Cinco instalações da telefónica castigadas pela raiva da oligarquia crioula. Parece um ensaio de nova Kristallnacht. Entretanto, os meios de comunicação ligados à oposição (80 por cento do total) escondem o sucedido e agitam as águas golpistas. No exterior, os media fazem o mesmo e afinam pelo mesmo discurso desestabilizador dirigido pelos centros do poder mundial. Soou a hora de novo assalto contra a revolução bolivariana. Capriles ganha jeitos de fanfarrão e avisa que vai marchar sobre a sede do CNE. A machadada final contra o chavismo. Contudo, a situação de 2013 não é a mesma de 2002. Maduro, entretanto proclamado presidente de acordo com a lei, fala ao país. Responsabiliza Capriles pelos mortos e feridos e avisa: «vocês não vão ao centro de Caracas (...) encher as ruas de morte e sangue (...) não vou permitir isso». Finalmente, Capriles desiste da ameaça. Retrocede. Assume-se como o que realmente é: um fascista mentiroso. Os mortos, os feridos, os assaltos são culpa dos chavistas. É a teoria do «eu-não-fui...»
Mentiras para todos os gostos
El País, El Mundo, ABC e outros jornais espanhóis estão na linha da frente do assalto ao poder. Há bem pouco foi o primeiro que publicou uma fotografia de Chávez intubado, sabendo perfeitamente que era falsa. Recolheu a edição, mas a provocação já estava feita. Agora foi a vez (outra vez!) de ABC. A 18 de Abril, numa nota com intitulada «Fascismo puro e Ma-duro», publica a fotografia de uma mulher a ser agredida por vários polícias. Uma evidência «clara» do carácter repressivo dos bolivarianos. Tão evidente que a imagem foi retirada pouco tempo depois porque se tratava de uma manifestação... no Egipto!!! A autora desta «façanha» informativa foi a «jornalista» Ludmila Vinografoff, uma venezuelana que já trabalhou antes no El País e que foi corrida de lá em 2002 porque se tinha excedido no seu apoio ao golpe fascista de Abril. Na mesma peça aparece outra imagem onde um opositor armado ameaça um grupo de chavistas. A «jornalista» publicou-a afirmando que era um chavista... disfarçado de opositor!!!
Outra «inverdade». Capriles afirma ter conhecimento de milhares de «irregularidades» eleitorais. Vejamos um par delas. 535 máquinas não arrancaram no momento devido e isso teria afectado a votação de 189 982 votantes. Esquece-se de dizer que isso representa pouco mais de 1 por cento do total das máquinas e que o CNE tinha 3000 de contingência para atender em forma imediata casos como esses. Alegadamente, 283 testemunhas da oposição terão sido retiradas das mesas eleitorais, algumas à ponta de pistola. Votantes afectados: 722 983. Contudo, num processo eleitoral observador por tantos meios ligados à reacção não existe uma fotografia nem um metro de filme para o demonstrar e nenhuma acta eleitoral lhe faz referência. Um rumor mais credível seria que foram sequestrados por marcianos! Com estas e outras denúncias igualmente «sólidas» teriam sido afectados mais de cinco milhões de votantes!!!
O candidato fascista, por muito que o digam os meios internacionais, ainda não impugnou os resultados eleitorais. Entretanto, o CNE, para deixar constância adicional (mais uma) da veracidade do sistema eleitoral decidiu auditar (não é o mesmo que recontar) 46 por cento da votação que o não foi no dia das eleições. O resultado não irá mudar em nada e Capriles continuará com a sua campanha desestabilizadora.
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1 Segundo a constituição, o Poder Eleitoral, junto com o Executivo, Legislativo, Judicial e Moral é um dos cinco poderes públicos nacionais.