Rescaldo das eleições na Venezuela

O fascismo navega <br> entre o crime e a mentira

Pedro Campos

O can­di­dato fas­cista Ca­priles Ra­donski, por mais que o digam os meios in­ter­na­ci­o­nais, ainda não im­pugnou os re­sul­tados elei­to­rais na Ve­ne­zuela, mas pros­segue com a sua cam­panha de­ses­ta­bi­li­za­dora.

Ca­priles é o res­pon­sável pela vi­o­lência

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Dito e feito! Per­deram as elei­ções e não acei­taram o re­sul­tado. Mi­nutos de­pois do pri­meiro bo­letim do CNE1, Ca­priles Ra­donski faz o que se es­pe­rava: des­co­nheceu a au­to­ri­dade do CNE e afirmou que a luta con­ti­nuava, ou seja, vol­tava aos dias do golpe de Abril 2002, agora com a des­culpa de que a margem de votos era pe­quena.

Poucas horas de­pois co­meça a co­nhecer-se o saldo de terror fas­cista. Oito mortos e mais de oi­tenta fe­ridos. De­za­nove CDI (postos de as­sis­tência mé­dica) si­ti­ados. Al­guns deles in­cen­di­ados. Dois hos­pi­tais ata­cados (num deles im­pe­diram o fun­ci­o­na­mento da sala de ope­ra­ções). Sete ins­ti­tui­ções pú­blicas agre­didas. Três lo­cais do PSUV ata­cadas. Seis sedes do CNE cer­cadas por turbas as­sa­nhadas. Treze meios de co­mu­ni­cação co­mu­ni­tá­rios as­sal­tados. Duas casas fa­mi­li­ares quei­madas com os vi­zi­nhos dentro. Um centro cul­tural ví­tima da fúria fas­cista. Vinte e quatro lo­cais de­pen­dentes do Mi­nis­tério de Ali­men­tação ata­cados. Cinco ins­ta­la­ções da te­le­fó­nica cas­ti­gadas pela raiva da oli­gar­quia cri­oula. Pa­rece um en­saio de nova Kris­tall­nacht. En­tre­tanto, os meios de co­mu­ni­cação li­gados à opo­sição (80 por cento do total) es­condem o su­ce­dido e agitam as águas gol­pistas. No ex­te­rior, os media fazem o mesmo e afinam pelo mesmo dis­curso de­ses­ta­bi­li­zador di­ri­gido pelos cen­tros do poder mun­dial. Soou a hora de novo as­salto contra a re­vo­lução bo­li­va­riana. Ca­priles ganha jeitos de fan­farrão e avisa que vai mar­char sobre a sede do CNE. A ma­cha­dada final contra o cha­vismo. Con­tudo, a si­tu­ação de 2013 não é a mesma de 2002. Ma­duro, en­tre­tanto pro­cla­mado pre­si­dente de acordo com a lei, fala ao país. Res­pon­sa­bi­liza Ca­priles pelos mortos e fe­ridos e avisa: «vocês não vão ao centro de Ca­racas (...) en­cher as ruas de morte e sangue (...) não vou per­mitir isso». Fi­nal­mente, Ca­priles de­siste da ameaça. Re­tro­cede. As­sume-se como o que re­al­mente é: um fas­cista men­ti­roso. Os mortos, os fe­ridos, os as­saltos são culpa dos cha­vistas. É a te­oria do «eu-não-fui...»

Men­tiras para todos os gostos

El País, El Mundo, ABC e ou­tros jor­nais es­pa­nhóis estão na linha da frente do as­salto ao poder. Há bem pouco foi o pri­meiro que pu­blicou uma fo­to­grafia de Chávez in­tu­bado, sa­bendo per­fei­ta­mente que era falsa. Re­co­lheu a edição, mas a pro­vo­cação já es­tava feita. Agora foi a vez (outra vez!) de ABC. A 18 de Abril, numa nota com in­ti­tu­lada «Fas­cismo puro e Ma-duro», pu­blica a fo­to­grafia de uma mu­lher a ser agre­dida por vá­rios po­lí­cias. Uma evi­dência «clara» do ca­rácter re­pres­sivo dos bo­li­va­ri­anos. Tão evi­dente que a imagem foi re­ti­rada pouco tempo de­pois porque se tra­tava de uma ma­ni­fes­tação... no Egipto!!! A au­tora desta «fa­çanha» in­for­ma­tiva foi a «jor­na­lista» Lud­mila Vi­no­gra­foff, uma ve­ne­zu­e­lana que já tra­ba­lhou antes no El País e que foi cor­rida de lá em 2002 porque se tinha ex­ce­dido no seu apoio ao golpe fas­cista de Abril. Na mesma peça apa­rece outra imagem onde um opo­sitor ar­mado ameaça um grupo de cha­vistas. A «jor­na­lista» pu­blicou-a afir­mando que era um cha­vista... dis­far­çado de opo­sitor!!!

Outra «in­ver­dade». Ca­priles afirma ter co­nhe­ci­mento de mi­lhares de «ir­re­gu­la­ri­dades» elei­to­rais. Ve­jamos um par delas. 535 má­quinas não ar­ran­caram no mo­mento de­vido e isso teria afec­tado a vo­tação de 189 982 vo­tantes. Es­quece-se de dizer que isso re­pre­senta pouco mais de 1 por cento do total das má­quinas e que o CNE tinha 3000 de con­tin­gência para atender em forma ime­diata casos como esses. Ale­ga­da­mente, 283 tes­te­mu­nhas da opo­sição terão sido re­ti­radas das mesas elei­to­rais, al­gumas à ponta de pis­tola. Vo­tantes afec­tados: 722 983. Con­tudo, num pro­cesso elei­toral ob­ser­vador por tantos meios li­gados à re­acção não existe uma fo­to­grafia nem um metro de filme para o de­mons­trar e ne­nhuma acta elei­toral lhe faz re­fe­rência. Um rumor mais cre­dível seria que foram se­ques­trados por mar­ci­anos! Com estas e ou­tras de­nún­cias igual­mente «só­lidas» te­riam sido afec­tados mais de cinco mi­lhões de vo­tantes!!!

O can­di­dato fas­cista, por muito que o digam os meios in­ter­na­ci­o­nais, ainda não im­pugnou os re­sul­tados elei­to­rais. En­tre­tanto, o CNE, para deixar cons­tância adi­ci­onal (mais uma) da ve­ra­ci­dade do sis­tema elei­toral de­cidiu au­ditar (não é o mesmo que re­contar) 46 por cento da vo­tação que o não foi no dia das elei­ções. O re­sul­tado não irá mudar em nada e Ca­priles con­ti­nuará com a sua cam­panha de­ses­ta­bi­li­za­dora.

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1 Se­gundo a cons­ti­tuição, o Poder Elei­toral, junto com o Exe­cu­tivo, Le­gis­la­tivo, Ju­di­cial e Moral é um dos cinco po­deres pú­blicos na­ci­o­nais.



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